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MAFF (Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca) realiza eventos na JHSP.
29.07.2019

Japan House São Paulo e Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, realizam eventos sobre a culinária japonesa e a relação entre Brasil e Japão na área de agricultura

 

Em dois eventos realizados, o MAFF apresentou o programa de intercâmbio entre Brasil e Japão, além de intensificar a relação com outros países das Américas Central e do Sul


 

 

São Paulo, julho de 2019 – O Brasil possui mais de 1.600 restaurantes japoneses no país, sendo metade deles estabelecidos na cidade de São Paulo. Esses números ratificam o interesse do brasileiro pela gastronomia japonesa e, no intuito de aprofundar esse conhecimento, nos dias 8 e 9 de julho, a Japan House São Paulo e o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca (MAFF) do Japão, realizaram dois importantes eventos para a comunidade brasileira e sul-americana relacionada ao segmento de alimentos.

 

O primeiro, realizado no dia 8, com o tema “Atrativos da culinária japonesa para a saúde” contou com a participação de diversos especialistas da área como a chef Telma Shiraishi, o neurocirurgião Koshiro Nishikuni e o sommelier de saquê, Alexandre Tatsuya Iida, além de distribuidores de produtos japoneses no mercado brasileiro e de São Paulo. Já no dia 9, o evento reuniu participantes do Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Peru para debates dentro do “Projeto de Intercâmbio, Cooperação e Geração de Negócios dos Agricultores Nikkeis das Américas Central e do Sul”.

 

Seminário – “A demanda crescente de comida japonesa saudável”

 

No dia 8 de julho, sob o título “A demanda crescente de comida japonesa saudável”, Telma Shiraishi - Embaixadora da Boa Vontade da Difusão da Culinária Japonesa - abriu o seminário destacando a cultura do Washoku, a tradicional culinária japonesa, reconhecida como Patrimônio Cultural Intangível, pela Unesco, em 2013. Para Telma, “comer e beber é a forma mais deliciosa de conhecermos uma cultura” e, por este motivo, ressaltou em sua apresentação os princípios fundamentais do washoku, como a sazonalidade, a valorização dos produtos e produtores locais, além da estrutura da refeição japonesa que traz em sua base o arroz (Gohan), acompanhado por um caldo e três ou mais acompanhamentos. 

 

Em outro momento, a chef comentou sobre o UMAMI, o quinto gosto do paladar humano, descoberto no Japão, e sua formação composta por três substâncias: glutamato (que pode ser encontrada na alga kombu), inosinato (encontrado no peixe bonito) e o glanilato (presente no cogumelo). Os produtos fermentados como Natto, Misso, Shoyu e Umeboshi também são necessários nas receitas japonesas. Telma finalizou sua apresentação com um capítulo especial: as algas marinhas, fundamentais na dieta japonesa. Ricas em nutrientes, fibras e vitaminas, as algas possuem baixos índices de calorias e gorduras e são poucos exploradas na alimentação no Brasil. “Além da comida, a dieta japonesa é composta também por bebidas, como chás e saquês e, este conjunto, reflete uma alimentação muito saudável”, finaliza Telma Shiraishi. 

 

Na sequência, Alexandre Tatsuya Iida (sommelier de saquê) abordou o tema “Sugestões de nihonshu – bebendo com saúde!”, onde trouxe informações sobre a origem do saquê, os tipos de plantação de arroz para a produção desta bebida, bem como suas categorias, classificações e tipos, além de comentar sobre os recipientes e rituais tradicionais. 

 

O ponto alto da apresentação do sommelier foi referente aos benefícios que o consumo moderado do saquê pode trazer à saúde das pessoas. Entre os pontos destacados está o fato da bebida auxiliar na expansão dos vasos sanguíneos, no funcionamento do estômago, na estabilização da circulação durante o sono. Considerando funções estéticas, o saquê atua na hidratação da pele, já que é rico em serina, que deixa a pele macia e flexível; combate a alergia, alivia a dermatite atópica e inchaço da pele. Por conter ácido hialurônico e colágeno, deixa a pele sedosa, já o antioxidante ácido felúrico evita a degradação da pele, enquanto o ácido linoleico e ácido kójico evitam e combatem as machas e sardas. 

 

A discussão seguinte contou com as participações adicionais do Dr. Koshiro Nishikuni, neurocirurgião do Hospital Santa Cruz; de um representante da Kazu Cake e da JFC Brasil Importadora, além de Telma Shiraishi e de Alexandre Tatsuya Iida “Em relação a saúde no Brasil, o Ministério da Saúde tem se preocupado bastante e realizado trabalhos estatísticos anualmente, onde se contata que 53% da população brasileira é obesa. No Japão, este índice é de 4%”, comenta o Dr. Nishikuni.

 

O médico informou também que 21% da população brasileira tem hipertensão; 18% tem problemas na coluna e 12% colesterol alto. Segundo ele, esses problemas se devem ao estilo de vida já que o brasileiro se exercita pouco e a qualidade da alimentação é comprometida. Diante deste dado é possível observar o quanto os exemplos do Japão na alimentação podem contribuir para a saúde dos brasileiros. E nessa discussão, foram apresentadas algumas atividades para difundir o alimentar hábito saudável japonês. 

 

A frente do Restaurante AIZOMÊ na Japan House São Paulo, a chef Telma Shiraishi ressaltou como exemplo sua preocupação com os alimentos, cuidado com a saúde e a sustentabilidade. “Aqui, apresento o Washoku com uma abordagem mais contemporânea, por meio dos settos. Minha culinária é bem colorida. Trabalho com a estrutura da comida saudável japonesa com mudança diária do cardápio, colocando em prática o que defendo na questão da sazonalidade, valorização dos fornecedores e produtos locais”, declara Telma Shiraishi.  

 

Todos os participantes da discussão enfatizaram a importância da realização de eventos como este seminário que apresenta a culinária japonesa, os produtos e conceitos da educação alimentar.  Ao final do debate, a embaixadora ressaltou a fundamental importância da união de todos na difusão comida japonesa. “Acho importante a união. Este evento, é um bom exemplo do que podemos fazer para difundir a culinária saudável japonesa, pois temos aqui representantes de vários elos desta cadeia. Cada vez mais, devemos criar oportunidades como essas com o Kenren - Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, com as sedes das províncias, com a Aliança Cultural, com a própria Japan House São Paulo, entre outros”, finaliza Telma Shiraishi. O evento terminou com uma confraternização no restaurante AIZOMÊ da Japan House São Paulo, onde os participantes tiveram a oportunidade de conhecer e experimentar a gastronomia japonesa. 


 

 

Debates dentro do ‘Projeto de Intercâmbio, Cooperação e Geração de Negócios dos Agricultores Nikkeis da América do Sul 2019’ 

 

No dia 9 de julho, a Japan House São Paulo sediou o evento que reuniu agricultores nikkeis do Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e, finalmente, Peru, o segundo país com o maior número de cidadãos nikkeis depois do Brasil, para debates dentro do “Projeto de Intercâmbio, Cooperação e Geração de Negócios dos Agricultores Nikkeis da América do Sul”, evento que acontece e visa a criação de negócios colaborativos e de intercâmbio com os produtores agrícolas da América Latina.

 

Representantes da Komatsu, empresa japonesa que desenvolve negócios no Brasil, Jica, Agência de Cooperação Internacional do Japão e representantes de cooperativas dos cinco países participantes apresentaram-se na primeira parte do evento, destacando projetos e a importância do fortalecimento das relações entre os agricultores nikkeis.

O Sr. Yokawa, gerente de projetos da CKC Tóquio, abriu a segunda parte do evento destinada à apresentação dos Projetos de Intercâmbio, Cooperação e Geração de Negócios dos Agricultores Nikkeis da América do Sul 2019, onde fez uma breve retrospectiva das atividades dos anos anteriores e exibiu as perspectivas e mudanças adotadas para este ano, como por exemplo, a adaptação da logomarca, agora com escrita em espanhol, ilustrando a integração com as Américas Central e do Sul.  

 

Yokawa citou os principais objetivos do projeto, que são a formação de jovens, o fortalecimento da colaboração na área agrícola ou de alimentos do Japão e das Américas Central e do Sul, cursos de formação e a criação de empresas e oportunidades para  agricultores nikkeis e empresas japonesas. 

 

“Nós, da secretaria deste projeto, gostaríamos de ouvir dos senhores participantes ideias sobre as criações de negócios na América do Sul. Temos uma distância geográfica que nos separa, sabemos que as realizações não são fáceis, mas gostaríamos de apoiar os negócios que irão trazer lucro para os senhores”, falou Yokawa, encorajando os participantes a exporem suas opiniões e ideias e abrindo o espaço para tal.

 

Uma das discussões levantadas foi a de aproximar empresas japonesas que já estão no Brasil (ex. Sukiya e Nissin) aos produtores agrícolas brasileiros. Outro ponto lembrado está relacionado aos problemas dos agricultores jovens de hoje em dia. Devido a situação difícil da agricultura, frequentemente vemos um grande êxodo rural e queda no interesse pela profissão. Por isso, discussões sobre gestão agrícola, rastreabilidade e agroturismo devem ser realizadas continuamente no futuro. 

 

Ao final deste evento, os participantes e organizadores elegeram os temas para o treinamento de 2019, que serão “Aumentar o valor agregado dos produtos agrícolas”, “Ferramenta agrícola, melhorando a produtividade” e “Revitalização regional”. Além disso, devido ao alto interesse em assuntos como regulamento de negociação e marketing agrícola, serão convidados especialistas do Japão para realizar treinamentos sobre esses assuntos. 

Na área da agricultura, é importante ressaltar a importante colaboração dos imigrantes japoneses ao longo dos últimos 111 anos, desde a chegada do navio Kasatu Maru no Brasil. Em uma breve observação histórica, é possível afirmar que, sem os imigrantes japoneses, teríamos uma mesa de alimentos diferente da que conhecemos nos dias de hoje. Foram eles que criaram o modelo de abastecimento que permitiu a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro nas cidades, importaram o conceito de cooperativismo que tomou contato com um sistema que permite a pequenos produtores ganhar escala e criar mecanismos de organização e comercialização de sua produção, entre outras grandes colaborações. Diante deste histórico na área da agricultura, o MAFF pretende trazer este tema em outras oportunidades com a finalidade de consolidar, ainda mais, esta troca entre japoneses e brasileiros.