ARTIGOS

Correspondências Arquitetônicas: Brasil e Japão | Onishimaki + Hyakudayuki Architects
29.06.2020


A Japan House São Paulo e o Instituto Tomie Ohtake se uniram para a série "Correspondências Arquitetônicas: Brasil e Japão", uma troca semanal de cartas online que irá traçar um paralelo sobre temas relacionados ao MORAR nos dois países.

Querido Instituto Tomie Ohtake,

Obrigada pela carta. Realmente, a proposta do Terra e Tuma é muito interessante e bastante pertinente. O desafio do lote mínimo é enfrentado há muito tempo no Japão, e sentimos que os arquitetos japoneses desenvolveram uma expertise bem peculiar para se adaptar à essa realidade. De tantos exemplos possíveis, resolvemos mandar para vocês a Double Helix House. Não sei se vocês conhecem...

Como em tantos outros países, o mercado imobiliário no Japão é bastante complexo. Em grandes cidades como Tóquio, por exemplo, a divisão de lotes em porções tão reduzidas quanto aquelas permitidas por lei gera terrenos residenciais de formatos dos mais variados. Aliado a um código de obras peculiar, essa condição fez surgir um fenômeno conhecido como jutaku (住宅), ou as micro casas japonesas.

Não é incomum para um arquiteto receber a encomenda de projetar em terrenos diminutos, no fundo de quadra, que possuem como acesso um corredor com medidas mínimas estabelecidas pela legislação. A engenhosidade e a criatividade do arquiteto são necessárias para a criação de casas reduzidas, mas que sejam ao mesmo tempo funcionais e tirem o maior proveito dessas condições.

Foi nesse contexto que os jovens arquitetos Maki Onishi e Yuki Hyakuda, que estiveram na Japan House São Paulo em março de 2020, desenvolveram o projeto da “Double Helix House” (Casa de Hélice Dupla). O projeto de 2010, localiza-se em Yanaka, um distrito em Tóquio com ruas estreitas e edifícios históricos feitos em madeira. O terreno, com 77 m², fica no centro da quadra, rodeado por outras construções e com acesso por dois corredores.

O próprio lote inspirou a composição do projeto, formado por dois principais elementos: um núcleo branco e uma espiral em madeira que o envolve. Nessa parte central estão distribuídos o espaço para refeições, os quartos, a sala e o banheiro. Na espiral, existem espaços para a família, uma pequena biblioteca e um escritório. Os ambientes do programa são todos conectados e sobrepostos. A cobertura da estrutura revestida em madeira também permite a criação de pequenos terraços, que funcionam como a segunda hélice do projeto, e que garantem uma melhor conexão entre espaços internos e externos.

A partir da proposta de projetar uma casa que não pode ser explicada pelo senso comum de comprimento e largura, os arquitetos foram capazes de criar uma residência que, mesmo com espaços reduzidos, possui ambientes dos mais diversos: claro, escuro, estreito, amplo. Uma residência pequena, mas que permite ao usuário uma variedade de sensações espaciais, permitindo a seus habitantes usufruí-la de maneira muito completa.

Um abraço,
Japan House São Paulo

* Essa é a nossa resposta à carta do Instituto Tomie Ohtake. Leia aqui.










Instituto Tomie Ohtake
Instagram: https://www.instagram.com/institutotomieohtake
Facebook: https://www.facebook.com/inst.tomie.ohtake
Site: http://premioarquitetura.institutotomieohtake.org.br

Onishimaki + Hyakudayuki Architects
Site: http://www.onishihyakuda.com/double-helix-house